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Jornal Gazeta

Economia | 07/06/2017 | 08:28

Agricultores perdem 80% da safra do feijão em Içara

Especial do Jornal Gazeta

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“Não tem o que se falar num momento desse. É difícil de se calcular o que se pode fazer agora. É triste ver toda uma produção indo embora, sendo perdida por causa da chuva. A gente faz investimento com recurso próprio para fazer a lavoura e depois fazer a colheita. Mas quando chega no momento de colher, acontece essa chuva e podemos dizer que praticamente jogamos dinheiro fora”, relata o agricultor Ézio Budny, da comunidade de Vila Nova, em Içara.

E a previsão é de que o período de instabilidade se estenda pelos próximos dias, aumentando as perdas no campo. “O feijão, depois do fumo, é a principal fonte de renda da minha família. Não sabemos nem o que fazer”, lamenta o agricultor. A família de Budny plantou 40 hectares de feijão com a perspectiva de colher aproximadamente mil sacas, mas só conseguiu chegar a 200, colhidas antes do mau tempo.

“Com esta chuva, o que ficou na lavoura com certeza foi perdido. Então o prejuízo posso dizer que é de 80%”, estima. O produtor não foi o único a sofrer com a chuva. O feijão é uma das principais fontes de renda da agricultura içarense e o prejuízo estimado já é milionário. “O problema é que com isso quem perde não é apenas o agricultor, mas sim toda a cidade”, coloca o extensionista da Empresa de Pesquisa Agropecuária (Epagri) de Içara, o engenheiro agrônomo Luiz Fernando Coan.

“O agricultor deixando de vender a sua produção, passa a não fazer mais investimentos que possivelmente faria no comércio ou em outros setores e, assim, o dinheiro deixa de girar. Além disso, impostos para a prefeitura e para o governo também deixam de ser pagos, o que posteriormente pode reduzir investimentos”, acrescenta. De acordo com o engenheiro, outras culturas estão sofrendo prejuízos, ainda não calculados. As hortaliças, principalmente as plantações de alface e repolho, estão entre as mais prejudicadas, assim como as pastagens.

Perdas passam de R$ 2,6 milhões

Conforme estimado pela Epagri, em Içara houve nesta safra a plantação de dois mil hectares de feijão. Antes de se iniciar as chuvas, foi realizada a colheita de aproximadamente 40%. “Entre sexta-feira e sábado, em que houve estiagem, os agricultores chegaram a colher mais alguma coisa, mas não deu muito, já que logo reiniciou a chuva”, ressalta o engenheiro agrônomo da Epagri, Luiz Fernando Coan.

“Levando em consideração uma média de colheita da safra que temos em Içara, com aproximadamente 25 mil sacas perdidas, o prejuízo deve ficar em torno dos R$ 2,6 milhões. No entanto, até o fim desta chuva, esse número pode ainda aumentar. Em uma conta um pouco mais extremista, o prejuízo pode passar dos R$ 3,3 milhões. É algo realmente assustador”, avalia o agrônomo. “Teve casos em que só em uma família o prejuízo foi de R$ 150 mil”, acrescenta.

O engenheiro agrônomo ainda lembra que há produtores que têm direito ao seguro agrícola. Desta forma, para tentar minimizar os prejuízos, deve-se procurar o banco onde o financiamento foi concedido. “Existia uma boa expectativa em cima desta colheita. Poderia ser algo melhor que nos outros anos. A nossa média histórica é de 25 sacas por hectare. Mas neste ano estava indo tão bem que, antes de iniciar as chuvas, já tínhamos o registro de até 35 sacas por hectare”, informa.